O Canto do Bem-te-vi
Solitário, livre e feliz
Se plana no céu e se perde no azul
Leva pancada de vento que vem do
leste, norte ou sul
Faz seu canto bonito de chamariz
Assim bem alto encanta nossos ouvir
O encanto do canto do Bem-te-vi
Sinal de um silvo alto e
vento-cortante
Soltado sozinho num voo rasante
Apesar de ser um canto romantizante
Continua sozinho o nosso Bem-te-vi
Como Boêmio platônico apaixonado
Faz seus versos, rimas, frases e
cantos de amor
Vive a amante, em risos e êxtases em
seu interior
Mas, de longe, quase nunca é escutado
Se um dia fosse ao menos acatado
Voaria com ela seu voo de esplendor
Canta alegre até quando trabalha o
Bem-te-vi
Busca água, junta palha, como
trabalha o passarinho
É engenheiro formado, arquiteto
arretado, formador de seu ninho
Estrutura direitinho, para deitar a
sua amada
Mas nem sempre tem escutada sua
saudação de carinho.
“Bem –te-vi” na palavra é expressão
de mais puro amor, de saudade e devoção
É acordar bem cedo, fazer um carinho,
sorrir de paixão.
É chamar a abrir asas, fazer
companhia de graça e se jogar na imensidão
Voar solto pelos morros, sentir da
brisa que gira um cata-vento de energia encarcerado no coração
Mas como tantos preso numa gaiola do
medo
De se jogar pra voar livre de nenhum
segredo
De gritar e cantar seu canto pro amor
que lhe condiz
Tantas vezes cativo, amordaçado,
reprimido, canta o nosso Bem-te-vi
E nas manhãs, da luz clara matinal
Sonha com dia em que voará, sem
gaiola pra empatar
Com seu rasante voo radial
Na companhia do seu “bem-te-vi”,
bem-te-quero bem-aqui
Em meu ninho no canavial...

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